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Brasil abre mercado de lácteos no Egito

Brasil abre mercado de lácteos no Egito
País conseguiu a certificação sanitária para exportar leite e derivados ao mercado egípcio, que movimenta US$ 8 bilhões ao ano. Abertura foi assunto da viagem da ministra Tereza Cristina ao mundo árabe, cuja agenda oficial começou neste sábado no Cairo.

O Brasil abriu o mercado egípcio para produtos lácteos e esse foi um dos vários assuntos tratados em encontro da ministra da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, Tereza Cristina, com o diretor de Produção Animal da Organização Nacional de Projetos de Serviços do Egito, Fayez Abaza, neste sábado (14), na sede da embaixada do Brasil no Cairo, a capital egípcia. A reunião foi uma das primeiras atividades oficiais da ministra no Egito, onde ela cumpre agenda até o domingo (15), acompanhada de uma delegação empresarial.

“Nós temos muita gente interessada em fazer essa oferta de lácteos para o Egito”, afirmou a ministra Tereza Cristina para Abaza durante o encontro, depois de agradecer o esforço que foi feito pelo Egito e pela embaixada do Brasil no Cairo pela abertura de mercado. O Brasil conseguiu nesta semana a certificação sanitária para exportar leite e seus derivados, como manteigas e queijos, ao país árabe.

Isaura Daniel/ANBA

Tereza Cristina, Abaza e Amaral na embaixada

“Esse é o primeiro passo para começar a exportar. A questão sanitária está resolvida, agora começa a questão comercial, que depende dos empreendedores brasileiros”, afirmou à ANBA o adido comercial da embaixada, Cesar Simas Teles, após a reunião. Ele lembrou que o Egito tem uma população de cerca de 100 milhões de habitantes e que o mercado local de lácteos é de US$ 8 bilhões ao ano.

Os exportadores brasileiros do setor terão pela frente a concorrência da Holanda e da Nova Zelândia, atualmente grandes fornecedores do mercado egípcio na área. Mas o Brasil possui benefícios de tarifas em função de um acordo de livre comércio que o Mercosul tem com o Egito, em vigor há dois anos. As taxas variam de um lácteo para outro, porém alguns produtos têm tarifa zero, segundo Teles. São os casos de queijo de 10 quilos e do leite em pó.

Além do adido, participaram do encontro com Abaza o secretário-geral daCâmara de Comércio Árabe Brasileira,Tamer Mansour, o embaixador do Brasil no Cairo, Ruy Amaral, a segunda secretária da embaixada, Fernanda Mansur Tansini, o deputado federal Alceu Moreira (MDB), a diretora de Promoção Comercial, Investimentos e Cooperação do Ministério da Agricultura, Márcia Nejaim, e o secretário de Comércio e Relações Internacionais do Ministério, Orlando Leite Ribeiro, que teve papel importante na abertura do mercado de lácteos.

O órgão do qual Abaza é diretor é responsável pelas compras das Forças Armadas, que cuidam do abastecimento local. Abaza pediu a ajuda da ministra para a formação de parceria com o Brasil em genética bovina. O projeto de Abaza é que o Egito crie uma fazenda modelo para criação de gado para leite e carne e que o Brasil colabore com envio de material genético e expertise. O objetivo do país é exportar as raças posteriormente ao Oriente Médio. Tereza Cristina se mostrou disposta a fazer a cooperação e convidou missão técnica egípcia para viajar ao Brasil para conhecer a experiência da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e conversar com o setor privado.

Isaura Daniel/ANBA

Egípcio foi recebido em café da manhã

Na reunião foram apresentadas ao diretor várias demandas para melhorar o fluxo de comércio entre o Brasil e o Egito, entre elas o pedido para desburocratização do processo de exportações brasileiras ao país árabe, que em função das exigências de consularização de documentos acaba ficando mais longo e caro, encarecendo os produtos finais, segundo o embaixador Ruy Amaral. Abaza ficou de encaminhar o assunto a autoridades competentes.

A ministra pediu abertura e aumento de mercado para vários produtos brasileiros do agronegócio. O diretor egípcio também manifestou vontade de que o comércio avance para novos setores. Eles discutiram comércio de milho, farelo de soja, pulses (feijões), arroz, caroço de algodão, semente de girassol e até de alfafa.

“Espero que nossas relações não fiquem limitadas à importação de carnes, queremos uma parceria mais profunda e verdadeira com o Brasil no que se trata de produtos agropecuários”, afirmou Abaza. “Essa é minha missão aqui hoje, estreitar essa parceria. Além das carnes, com certeza queremos estender essa parceria com o Egito para outras áreas”, falou Tereza Cristina. “O Brasil é um país rico em água e pobre em fertilizantes. Nosso destino é cooperar”, disse o embaixador Ruy Amaral ao final da conversa.

Até o domingo, a ministra terá reuniões com mais autoridades egípcias. A visita do Egito é parte de uma missão aos países árabes, que inclui a passagem ainda por Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos. As atividades nestes países vão até o dia 22 de setembro e incluem espaços para prospecção de negócios pelo setor privado.

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Fonte: ANBA

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